Itália Isolou 11 Cidades para Impedir Disseminação do Coronavírus

Itália Isolou 11 Cidades para Impedir Disseminação do Coronavírus

Um cordão sanitário foi instalado, esta segunda-feira, à volta de 11 cidades do norte de Itália, o coração económico do país, para conter a disseminação do novo coronavírus, que já matou seis pessoas no país.

O surto repentino de novos casos de coronavírus, passando de seis para 219 o número de infetados em quatro dias, faz da Itália o país mais afetado da Europa e o terceiro do mundo depois da Coreia do Sul e da China.

O anúncio, esta segunda-feira, da morte de três pessoas aumentou o número de vítimas mortais para cinco, todas no norte do país: cinco na Lombardia e uma no Veneto (nordeste), todas idosas e que muitas vezes já sofriam de outras patologias.

A primeira morte de um italiano – e a primeira de um europeu – foi anunciada sexta-feira numa vila perto de Pádua, em Veneto.

O primeiro infetado da Lombardia é um homem de 38 anos, Mattia, funcionário da multinacional anglo-holandesa Unilever, em Casalpusterlengo.

A origem da contaminação continua a ser um mistério, segundo o Ministério da Saúde italiano, mas de acordo com os media, Mattia terá contraído a doença através de um amigo, assintomático, e considerado o paciente zero. Um gerente que viaja com frequenência para a China, que terá jantado com o “paciente um” a 1 de fevereiro.

Entretanto, as autoridades italianas acreditam ter identificado o elo de ligação entre dois foco de coronavírus, um em Vo’ e outro em Codogno, separados por 220 quilómetros.

Será um agricultor, de 60 anos, residente na cidade vizinha de Albettone e que frequentava os bares de Vo’ e que apresentou um livro e participou em algumas atividades na cidade de Codogno.

As autoridades italianas têm aplicado numerosas medidas cautelares, incluindo o semi-confinamento de cerca de 52 mil habitantes de uma dúzia de cidades no norte, encerrando lugares públicos, com exceção de algumas lojas de bens de primeira necessidade e farmácias de serviço.

O chefe da proteção civil italiana, Angelo Borrelli, procurou sossegar a população, dizendo que estão a ser tomadas todas as medidas relevantes para garantir a segurança das pessoas.

Esta crise já afetou a bolsa de valores de Milão, que estava em queda ao início da tarde de hoje.

Na Lombardia – a região mais afetada, com 167 casos – o metro de Milão circulava com carruagens meio vazias, numa cidade com museus, universidades, cinemas e teatros (incluindo o prestigiado La Scala) fechados

Como consequência desta alteração de rotinas citadinas, alguns supermercados milaneses já foram assaltados e o presidente da Câmara, Beppe Sala, pediu aos seus habitantes para ajudar a população mais vulnerável, incluindo os idosos.

“Temos certeza de que as medidas que tomámos impedirão a propagação do contágio”, garantiu o presidente do governo regional da Lombardia, Attilio Fontana.

Na Ligúria (noroeste), a celebração de eventos religiosos foi suspensa e apenas funerais e casamentos permanecem agendados, desde que destinados a pequenos grupos.

O governo da região de Veneto decretou no domingo a suspensão das festividades do famoso carnaval de Veneza – que deve terminar na terça-feira – além de eventos desportivos e o encerramento de escolas e museus.

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